Possibilidade de aliar a restauração florestal com atividades que geram renda para os proprietários rurais. Esta é a proposta de um experimento inédito no Espírito Santo, realizado em Aracruz (ES), em área da Fibria. A fim de conhecer o projeto, representantes de diversos setores e órgãos ligados ao meio ambiente fizeram uma visita ao local, na última quinta-feira (10/11).
O estudo, elaborado pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF) e Laboratório de Silvicultura Tropical (Lastrop) da Universidade de São Paulo (USP), com o apoio da Fibria, testa cinco diferentes modelos ecológicos de silvicultura de espécies nativas consorciadas com espécie exótica (eucalipto). O objetivo é proporcionar aos produtores rurais, empresas e demais interessados ganhos econômicos, sociais e ambientais em áreas de Mata Atlântica.
Cada um dos modelos testados no projeto apresenta as espécies nativas organizadas em grupos de madeira com ciclo de corte inicial, médio, final e complementar. Com isso, o produtor rural passa a ter um ciclo permanente de produção, com diferentes perspectivas de uso da madeira ao longo do tempo.
O experimento já está sendo desenvolvido em uma área de 11,3 hectares, de propriedade da Fibria, com a implantação de 40 espécies nativas da Mata Atlântica e eucalipto. Os primeiros resultados foram apresentados na visita, que teve a presença do subsecretário de Estado de Desenvolvimento Agropecuário, Aquicultura e da Pesca, Fábio Ahnerte, do presidente da ONG Conservação Internacional no Brasil, Luiz Paulo Pinto, gerentes do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf).
O professor doutor do Departamento de Ciências Florestais das USP, Pedro Henrique Brancalion, uns dos responsáveis pelo projeto, também esteve presente, explicando a possibilidade de adequação do experimento para outras áreas do estado, como parte do programa do governo Reflorestar. “Tenho certeza de que esse experimento será um sucesso e trará uma grande contribuição para o avanço da restauração da Mata Atlântica”, ressaltou Brancalion.
De acordo com o coordenador de Meio Ambiente Florestal da Unidade Aracruz da Fibria, Juliano Dias, o experimento servirá de modelo para que outros proprietários rurais também possam implantá-lo do Estado. “Com este modelo, que concilia produção com conservação, o projeto do governo que objetiva a ampliação da cobertura florestal do estado poderá ser beneficiado”, enfatizou Juliano.